4 boas notícias sobre novos tratamentos do vírus na pandemia

Desde o início da pandemia de coronavírus, já foram registrados no planeta nada menos do que 2,7 mil ensaios clínicos de tratamentos experimentais contra a covid-19. São testes envolvendo humanos.

É o que mostram dados de uma plataforma internacional International Clinical Trials Registry Platform, que reúne cadastros de estudos desse tipo prestes a serem iniciados. Até o momento, cerca de 1,6 mil ensaios estão ativamente recrutando voluntários ou já completaram esta etapa de experimentos, seja com remédios, alguns tipos de vacinas e até terapias alternativas.

Os ensaios clínicos são exigidos por agências sanitárias para comprovação da segurança e eficácia de um tratamento, e seu posterior registro e comercialização.

Na América Latina, o Brasil é o país com mais ensaios clínicos relativos à covid-19 planejados ou em execução em seu território: 159.

1. Soro desenvolvido no Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deu sinal verde, na última quarta-feira (24/3), ao início de testes clínicos com um soro desenvolvido pelo instituto Butantan, vinculado ao governo estadual de São Paulo.

O soro, um líquido injetável rico em anticorpos contra o coronavírus, é destinado a pessoas já infectadas e busca frear o agravamento da doença, impedindo por exemplo que ela ataque o pulmão.

Os testes com cobaias tiveram resultados “extremamente” efetivos, segundo o Butantan.

2. Antiviral inicia testes

Outro tratamento em estudo que avançou para a primeira fase dos testes clínicos foi um remédio de uso oral que está sendo desenvolvido pela farmacêutica Pfizer. A empresa anunciou no dia 23 que os experimentos com pacientes foram iniciados nos Estados Unidos.

Segundo a empresa, o antiviral mostrou uma ação “potente” em testes in vitro no laboratório e é projetado para ser usado aos primeiros sintomas de covid-19.

O medicamento da Pfizer é do tipo inibidor de protease — uma enzima essencial para o vírus se multiplicar.

“A protease é crítica para o vírus se desenvolver, e os medicamentos direcionados a ela cortam alguns dos primeiros estágios da infecção — impedindo que o vírus se replique”, explicou à BBC News na Inglaterra o virologista Stephen Griffin, da Universidade de Leeds.

3. Coquetel: metas atingidas na terceira fase

Já na fase 3, envolvendo mais de 4,5 mil participantes, os testes com um coquetel desenvolvido pela farmacêutica Roche tiveram bons resultados anunciados também no último dia 23.

O coquetel, uma combinação das substâncias casirivimab e imdevimab com aplicação intravenosa, configura um tipo de tratamento chamado de anticorpos monoclonais — quando anticorpos de uma pessoa que se recuperou da doença são selecionados e copiados em laboratório.

Os voluntários eram pessoas infectadas pelo coronavírus, não hospitalizadas, mas sob risco de agravamento da doença.

4. Antiviral pode acelerar eliminação do vírus

No início de março, no dia 6, as farmacêuticas MSD e Ridgeback apresentaram resultados preliminares de um ensaio clínico em fase 2 com o antiviral oral molnupiravir, envolvendo 202 pessoas infectadas com o coronavírus nos Estados Unidos e não hospitalizadas.

Segundo comunicado, após o quinto dia de tratamento, a carga viral foi reduzida entre aqueles que receberam tratamento. Além disso, os efeitos adversos foram considerados irrelevantes e não relacionados ao medicamento. Detalhes e mais resultados da fase 2, incluindo os objetivos principais, serão divulgados em breve, de acordo com o consórcio.

Outros ensaios de fase 2 e 3 com o antiviral também estão sendo realizados.

O molnupiravir inibe a replicação de vírus de RNA como o SARS-CoV-2, e teve bons resultados em laboratório não só com este patógeno, mas com outros como o SARS-CoV-1 e MERS.

Fonte: BBC Brasil

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