Especialista aponta que desmatamento na Amazônia é ‘perda irreparável’

Na hipótese mais otimista, sim, mas seriam necessários, no mínimo 20 anos. No pior – e mais comum – dos cenários, no entanto, a floresta destruída nunca voltará a ser o que era antes, segundo Jerônimo Sansevero, professor do Departamento de Ciências Ambientais do Instituto de Florestas da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).

“Estamos tendo uma perda irreparável. Nunca tivemos uma perda tão alta nas últimas três décadas”, afirmou.

A Amazônia brasileira perdeu mais de uma Alemanha em área de floresta entre 2000 e 2017. São cerca de 400 mil km² a menos de área verde, de acordo com estudo de uma equipe de pesquisadores da Universidade de Oklahoma publicado na revista científica Nature Sustainability.

O resultado é mais que o dobro da área de 180 mil km² registrada no mesmo período pelo sistema de monitoramento de desmatamento anual adotado pelo Inpe.

Especialista em restauração ambiental, Sansevero explica que a chance de recuperação da área desmatada depende, primeiro, do tamanho do impacto causado na vegetação original.

E compara à superação de um trauma para o ser humano. “Alguns traumas a gente consegue superar, mas outros têm um impacto tão grande que você não consegue voltar ao que era antes.”

Nas áreas em que o solo foi afetado de forma muito forte – com mineração, por exemplo -, dificilmente haverá a recomposição da vegetação original, segundo ele.

Em locais onde houve uma agricultura de baixo impacto – sem uso de queimadas e de máquinas -, as chances de recuperação são maiores.

Da BBC Brasil

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Por @EldoGomes | Jornalista e YouTuber.