Nova regra do Twitter interrompe anúncios políticos a partir de novembro

Na contramão do Facebook, que enfrenta protestos de seus funcionários contra mudanças em sua política de moderação de anúncios de cunho político, Twitter deixará de aceitar anúncios políticos na plataforma a partir do final de novembro, como anunciou o CEO da empresa, Jack Dorsey, nesta quarta (30).

Na nova política da rede social, apenas anúncios de apoio ao registro de eleitores ainda serão permitidos. “Decidimos interromper toda a publicidade política no Twitter globalmente. Acreditamos que o alcance da mensagem política deve ser conquistado, não comprado”, afirma Dorsey, em sua conta na rede do passarinho.

Segundo o CEO, uma mensagem política ganha alcance quando as pessoas seguem uma conta ou retuitam o conteúdo. E quando a publicação e o alcance são pagos, a decisão de ser impactada pelo conteúdo é retirada das pessoas.

Para Dorsey, a decisão política das pessoas não deve ser influenciada nem comprometida por dinheiro. O executivo afirma que, embora a publicidade na internet seja incrivelmente poderosa e eficaz para anunciantes, esse poder traz riscos significativos quando envolve política, e pode ser usado para influenciar votos, afetando a vida de milhões de pessoas.

De acordo com o CEO, os anúncios políticos da Internet apresentam desafios totalmente novos ao discurso cívico: otimização baseada em aprendizado de máquina de mensagens e segmentação múltipla, informações enganosas não verificadas e falsificações profundas. Tudo com velocidade crescente, sofisticação e escala esmagadora. Para ele, é melhor focar os esforços nos problemas gerados pela desinformação, sem a carga e complexidade adicionais que o dinheiro traz. O executivo afirma que tentar consertar ambos significa consertar nenhum bem e prejudicar a credibilidade da rede social.

O conjunto de regras do Twitter que interrompem a publicidade política será divulgado em no próximo dia 15, o que incluirá algumas exceções, segundo Dorsey, como anúncios de apoio ao registro de eleitores para que eles compareçam às votações. A nova política de publicidade do Twitter entrará em vigor no dia 22 de novembro, oferecendo tempo suficiente para que os anunciantes atuais se adaptem.

Ponto Crítico

O disruptivo anúncio de Jack Dorsey veio poucos minutos antes do Facebook divulgar seus ganhos no terceiro trimestre, como uma mensagem bem clara, tuitada pelo próprio CEO da rede de microblogging: de que “não se trata de liberdade de expressão. Trata-se de pagar pelo alcance [de um discurso]”.

O Facebook, por outro lado, manteve sua política controversa de permitir anúncios políticos sem verificação de fatos, o que abre precedentes para lucro com impulsionamento de fake news. Vale lembrar que o Facebook é de longe a maior plataforma da Internet para publicidade e impacta muito mais o debate político.

A controvérsia vem ofuscando os últimos três meses do Facebook, mas por enquanto a discussão não chegou nos seus bolsos. A empresa registrou ganhos acima do esperado, com US$ 6 bilhões em lucro e US$ 17,7 bilhões em vendas. Assim, o Facebook fica cada vez maior, à medida que combate as verificações de sua influência.

Nesse cenário, a empresa de Marck Zuckerberg continua a se ver como um árbitro neutro para todos os pontos de vista, com sua própria política de liberdade de expressão. “Os anúncios podem ser uma parte importante da voz — especialmente para candidatos e grupos de defesa que a mídia talvez não cubra”, defende Zuckerberg em anúncio, após a dvulgação do balanço.

FONTE; CANALTECH

eldogomes.com.br

Por @EldoGomes | Jornalista Multimídia e YouTuber.