O papel dos influenciadores no combate à Covid-19

Foto: Arquivo Pessoal

Por Michel Medeiros

Na era das fake news, dos haters e dos cancelamentos, qual o papel dos influenciadores digitais na divulgação das medidas de prevenção à pandemia de Covid-19 e no combate a boataria que se prolifera pela internet? Com milhares, muitas vezes, milhões de seguidores, as celebridades do mundo virtual tornaram-se verdadeiros oráculos entre os fãs e, com a reputação em alta, são peça fundamental nas campanhas de enfrentamento a grave crise sanitária mundo a fora.

Países como os Estados Unidos, Holanda e Finlândia adotaram os digital influencers como parte dos seus planos de mídia, como multiplicadores das medidas de proteção. No Brasil, a estratégia também foi adotada pelos governos Federal, Estadual e Municipal, na tentativa de falar mais próximo aos cidadãos.

Estudos realizados por renomados institutos internacionais validam a participação dos influenciadores digitais no combate à pandemia de Covid-19. De acordo com o SocialChorus, importante plataforma de pesquisa norte-americana, no início da crise sanitária, as campanhas de marketing de influência captaram, em média, um engajamento 16 vezes maior do que a publicidade paga em meios de comunicação tradicionais.

O bom desempenho também foi medido na pesquisa “Marketing de Influência em Tempos de Pandemia de Covid-19”, realizada pela Youpix consultoria de negócios para a Influence Economy. O estudo contou com a participação de 554 criadores de conteúdo e 164 marcas de diversos segmentos. A pesquisa constatou que 77,5% das marcas acreditam que influenciadores e criadores podem ser bons aliados e bons interlocutores em tempos de coronavírus.

O cientista político e especialista em marketing de influência, Danilo Strano, explica que o trabalho dos influencers no combate à pandemia é utilizado em todo o mundo e apresenta resultados satisfatórios. “Nos Estados Unidos, em março de 2020, influenciadores inundaram os feeds com conteúdo incentivando a população a tomar medidas preventivas, como a higienização das mãos, o distanciamento social e a utilização de máscaras. Isso não foi uma coincidência: líderes em saúde pública do governo norte-americano recrutaram influenciadores com muitos seguidores, a fim de utilizarem suas plataformas em serviço do bem”, afirma.

De acordo com o especialista, no Brasil a estratégia também foi adota. “As personalidades foram utilizadas em quatro fases: no início da pandemia para conscientizar sobre os riscos da nova doença; em um segundo momento para enfatizar a importância das medidas preventivas; posteriormente, com foco nos profissionais de saúde e idosos; e, por fim, para comunicar sobre a necessidade de procurar atendimento médico logo que os primeiros sintomas surgirem”, explica.

Os estudos consolidam a utilização dos criadores de conteúdo como ferramentas fundamentais em qualquer plano de mídia que pretenda alcançar de forma mais eficaz o público online.