Robô controlado por movimentos humanos é nova criação de um cientista brasileiro

Um dos maiores entraves para a criação de robôs é o movimento: a não ser que se utilize rodas ou esteiras, é difícil criar um robô que tenha a mesma capacidade de movimento de um humano, e principalmente que consiga se adaptar às mudanças de terreno do ambiente. Mesmo as IAs mais avançadas não conseguem ainda responder em tempo real à mudanças bruscas no terreno (como, por exemplo, a aparição de um obstáculo que não havia sido previamente mapeado).

E, enquanto opções arquitetônicas simples de se encontrar em qualquer lugar (como escadas ou desníveis) podem ser o suficiente para impedir o avanço de um robô “de rodinhas”, os robôs bípedes baseados na movimentação humana ainda não conseguem se garantir sozinhos em terrenos acidentados, pois não possuem os reflexos necessários para ajeitar suas passadas e o centro de gravidade do corpo de forma a se adequar a tempo às irregularidades do terreno.

É por isso que pesquisadores da Universidade de Illinois e do MIT (Massachussets Institute of Technology) estão desenvolvendo o Little HERMES, um robô controlado por movimentos humanos. O projeto foi publicado na última quarta-feira (30) na revista Scientific Robotics, e é liderado pelo brasileiro João Ramos, que iniciou a carreira acadêmica na PUC-Rio, na cidade do Rio de Janeiro. O Canaltech bateu um papo com ele e conta mais sobre o projeto.

O Little HERMES não é o primeiro robô a ser controlado por movimentos humanos, mas o que o difere de outros sistemas do tipo é o fato de ele ser o primeiro a trabalhar com um tipo de controle bidirecional. Isso quer dizer que não é apenas o operador humano que envia comandos para o robô, mas o robô também envia para o operador aquilo que ele está “sentindo” — um sistema parecido com o que vemos em filmes como Pacific Rim ou Jogador Número Um.

De acordo com Ramos, esse sistema funciona colocando-se o operador em cima de uma placa de pressão, vestido com uma espécie de exoesqueleto composto de diversos sensores e um colete com tecnologia force feedback. Esses sensores emitem os sinais do movimento feito pelo operador para o robô, que os processa levando em conta o centro de gravidade da máquina, e então imita o mesmo movimento feito pelo operador. Essa operação é feita em questão de milisegundos, e a resposta é praticamente instantânea.

Ao mesmo tempo, a placa de pressão e o colete com force feedback permitem que o controlador humano sinta melhor o terreno por onde o robô está passando, permitindo um controle mais preciso sobre o tipo de movimento que deve ser feito. Outra vantagem do sistema é que, como a resposta do robô aos comandos é praticamente instantânea, ele pode se aproveitar dos reflexos superiores dos humanos, resultando em uma performance melhor em terrenos complicados de se navegar — como, por exemplo, os destroços de um prédio.

FONTE: CANALTECH

eldogomes.com.br

Por @EldoGomes | Jornalista Multimídia e YouTuber.