No Planetário de Brasília, uma iniciativa está moldando o futuro do empreendedorismo negro

Com uma abordagem inovadora e focada no desenvolvimento de liderança e habilidades empreendedoras, o projeto Igualando Oportunidades, uma incubadora de projetos de afroempreendedorismo, surge como uma resposta à necessidade urgente de trazer conhecimento e capacitação para a comunidade negra que deseja ingressar no mundo dos negócios. O programa já impactou centenas de vidas e está mudando o cenário do empreendedorismo negro em Brasília

Desde o seu lançamento, a incubadora tem sido um farol de esperança para aqueles que buscam espaço no mercado de trabalho e no mundo dos negócios. Com 11 turmas de capacitação já realizadas, o programa visa mitigar as disparidades de capacitação e autoconhecimento enfrentadas pela comunidade negra. 

Segundo a diretora do projeto, Cristiane Pereira, o Igualando Oportunidades nasceu da necessidade de enfrentar as barreiras que impedem o acesso dos jovens negros ao mercado de trabalho. “Ao oferecer cursos e treinamentos focados no desenvolvimento de habilidades e na promoção da igualdade de oportunidades, buscamos criar um ambiente mais inclusivo e justo para os empreendedores negros e suas comunidades”, destaca. 

O sucesso do projeto é evidente na vida dos participantes, cujas vidas foram transformadas pela oportunidade de adquirir novos conhecimentos e habilidades. Para Simonio Rosal, por exemplo, que atua como produtor de eventos, sua motivação para participar do projeto Igualando Oportunidades foi a possibilidade de apresentar sua ideia de empreendimento e ajustá-la com os aprendizados oferecidos. 

Segundo Simonio, é difícil encontrar iniciativas exclusivas para pessoas negras. “Vi no projeto uma maneira de estar inserido em um ambiente com pessoas negras, compartilhando anseios e medos”. Sua proposta de empresa consiste em criar um sistema de gerenciamento de orçamentos online para empresas de eventos, com foco atualmente na área de projetos culturais. 

Para ele, o autoconhecimento envolve o fortalecimento das potencialidades das pessoas negras, destacando que há muitos talentos brilhantes ao seu redor. “O projeto visa trazer pessoas negras para mentoria, mostrando que há uma nova geração de empreendedores negros, estimulando um novo olhar sobre o assunto”, destaca o aluno. 

Já a projetista socioambiental e cultural Luciana Rodrigues Fonseca, mesmo sem uma empresa definida para participar da incubadora, ela resolveu se inscrever para planejar e montar futuramente um ponto de cultura em um terreno ao lado de sua casa. “Sou bacharel em direito e graduanda em gestão ambiental, e pretendo passar os meus conhecimentos para as pessoas que moram na periferia, assim como eu”, enfatiza a aluna do projeto. 

Luciana se inscreveu no Igualando Oportunidades  por ser online e voltada para pessoas negras e pardas, além de ser gratuita. “Aprendi muito sobre metas, planejamento e foco, isso me ajudará muito no meu dia a dia, por eu ser projetista, sociocultural e ambiental e trabalhar home office. Após a incubação, seus planos incluem buscar mais conhecimento em outros cursos, continuar com as oficinas em sua garagem para pessoas em situação de vulnerabilidade social e buscar parcerias para construir um ponto de cultura socioambiental.

O projeto Igualando Oportunidades chegou na vida de  Yuri Assis da Silva através de uma amiga empreendedora. Após as mentorias, Wyllkens começou a transformar sua startup, Ex Devedor. “Eu não tinha noção da gestão da minha empresa, atuava como vendedor e funcionário e não como dono e fundador”, relata Wyllkens. Enfrentando preconceitos no mercado, ele se deparou com a realidade de que influenciadores negros recebem menos que os brancos, uma situação que o fez questionar sua competência.

A vida ensinou Wyllkens a empreender por necessidade. Em busca de se sustentar e superar dificuldades financeiras, ele se aventurou na venda de trufas para quitar dívidas. Participar da maratona de negócios da Campus Party 2024 em Brasília, onde conquistou o terceiro lugar, foi um ponto de virada. Percebeu que não poderia agir apenas como um fazedor de dinheiro.  “A incubadora me deu uma visão e uma linha de ação diferente que impactou meus clientes de outra forma. Escrevendo este texto e revendo minha história, percebo que conquistei companheiros e aliados incríveis. Este ano, tenho a perspectiva de crescer 23% em relação ao ano passado. Quero ajudar a tirar 100 pessoas das dívidas e atender 1000 pessoas”.

Fonte: Elsánia Estácio / Indica Brasília