Brasília, conhecida por sua arquitetura icônica e relevância política, vem conquistando um novo espaço de destaque, o cenário vitivinícola. Em apenas dois anos de existência, a Vinícola Brasília já se firmou como um dos grandes símbolos da produção de vinhos no país, acumulando premiações nacionais e internacionais e projetando o Distrito Federal como um novo polo do setor.
Inaugurada em abril de 2024, a vinícola nasceu da união de dez famílias produtoras, Alto Cerrado, Boa Vista da Mata, Casa Vitor, Ercoara, Horus, Marchese, Miro, Monte Alvor, Oma Sena e Villa Triacca, que decidiram transformar uma paixão em projeto coletivo. Vindos majoritariamente da Região Sul nas décadas de 1970 e 1980, esses produtores encontraram no Cerrado condições ideais para o cultivo da uva, especialmente com a técnica da dupla poda e colheita de inverno.
O resultado desse trabalho colaborativo é expressivo. Em pouco tempo, a vinícola já soma mais de uma centena de premiações, reforçando a qualidade do terroir brasiliense e a capacidade da região de produzir vinhos de excelência. “Estamos fazendo 50 anos em 5”, resume Ronaldo Triacca, um dos representantes do setor e diretor de Relações Institucionais da Associação Nacional dos Produtores de Vinhos de Inverno (Anprovin), ao destacar a velocidade de evolução da produção local.
Mais do que números, o sucesso da vinícola também carrega um forte significado simbólico: o empreendimento surgiu como um presente para Brasília, que neste mês celebra mais um aniversário. A proposta vai além da produção de vinhos, envolve sustentabilidade, inovação e desenvolvimento econômico, com práticas como reaproveitamento de água e preservação da vegetação nativa.
Para o secretário de Turismo interino, Bernardo Antunes. “O Governo do Distrito Federal tem atuado de forma estratégica para impulsionar o enoturismo, com a criação de um grupo de trabalho que reúne diversos órgãos e parceiros do setor produtivo. Essa integração tem sido fundamental para estruturar iniciativas como a Rota da Uva, que valoriza nossos produtores, fortalece a economia local e posiciona Brasília como um novo destino de experiências ligadas ao vinho e ao turismo rural”, destaca.
Um dos exemplos recentes desse protagonismo é o lançamento do primeiro espumante de Chenin Blanc da vinícola Marchese, elaborado pelo método tradicional e com colheita de inverno. O rótulo já nasceu premiado, conquistando medalha de ouro na Grande Prova Vinhos do Brasil antes mesmo de chegar oficialmente ao mercado. O lançamento, marcado para 20 de abril, integra as comemorações do aniversário de 66 anos da capital.
Para quem vive o dia a dia da produção, o crescimento é também emocional. A produtora Isabella Bonato, da vinícola Oma Sena, destaca o espírito coletivo que sustenta o projeto. Segundo ela, mesmo sendo um negócio familiar, criado em homenagem à avó, as conquistas são compartilhadas entre todos. “O que um ganha, todo mundo ganha”, resume, ao reforçar a cultura de cooperação que marca a iniciativa.
Texto: Setur/DF





