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Jornalismo de Tecnologia e Inovação: do Instagram aos portais

Artigo jornalístico, por @EldoGomes

*Jornalista Creator que cobre tecnologia, apaixonado por inovação e que assina a coluna #TechComEldo em seu portal EldoGomes.com

Vivemos a era do jornalismo efêmero, em que a informação muitas vezes nasce, circula e desaparece em questão de horas. Ao mesmo tempo, convivemos com um excesso de narrativas digitais genéricas, produzidas em grande escala por uma massa de criadores que nem sempre possui formação, especialização ou compromisso com a apuração jornalística. Em meio a esse cenário de postagens em excesso, cliques disputados e conteúdos cada vez mais parecidos, começa a ganhar espaço uma figura que considero especialmente interessante: o news creator, profissional que une a linguagem dos criadores digitais com a responsabilidade e os métodos do jornalismo.

A notícia mudou de lugar

Quando comecei a acompanhar tecnologia mais de perto, percebi que a notícia já não estava apenas nas redações tradicionais. Ela passou a estar no Instagram, no YouTube, no TikTok, nos podcasts e nos portais. A informação chega primeiro pelo celular e, muitas vezes, o público conhece determinado assunto pelas redes antes mesmo de procurar uma reportagem.

Isso mudou completamente a relação entre jornalista e audiência. Hoje, quem trabalha com informação também precisa entender de vídeo, fotografia, texto, algoritmo, comportamento digital e distribuição de conteúdo. Não basta mais publicar. É preciso saber como a informação chega ao público, em qual formato e, principalmente, com qual contexto.

O Instagram virou uma nova porta de entrada

O Instagram, particularmente, criou uma dinâmica muito própria para o jornalismo. Uma notícia pode começar em uma imagem, ganhar um Reels, virar uma sequência de Stories e, posteriormente, ser aprofundada em uma reportagem no portal.

Eu vejo isso diariamente na prática. Uma pauta pode nascer de uma conversa, de um evento, de um lançamento ou de uma novidade tecnológica e percorrer diferentes plataformas. Cada canal conta uma parte da história.

Mas existe uma diferença importante entre criar conteúdo e fazer jornalismo. O formato pode ser rápido, divertido e visual, mas a essência continua sendo a apuração, a responsabilidade e a credibilidade.

O portal ainda é a casa do aprofundamento

As redes sociais são excelentes para chamar atenção. O portal, por outro lado, permite aprofundar. E essa diferença continua sendo fundamental.

Uma publicação pode explicar em poucos segundos que determinada empresa lançou uma nova inteligência artificial. Mas é na reportagem que podemos responder às perguntas que realmente interessam: O que muda? Quem será impactado? Quanto custa? Quais são os riscos? Como funciona? Por que isso importa?

É justamente nesse espaço que acredito que o jornalismo de tecnologia ainda tem muito a contribuir.

Um portal também cria memória. O conteúdo publicado hoje pode ser encontrado amanhã, daqui a seis meses ou daqui a alguns anos. No ambiente digital, isso tem um valor enorme. A notícia deixa de ser apenas um conteúdo passageiro e passa a fazer parte de um acervo jornalístico pesquisável.

O jornalista precisa entender de tecnologia

Não acredito que seja possível fazer bom jornalismo de tecnologia sem ter curiosidade genuína pelo assunto.

Tecnologia não é apenas falar sobre celular novo, aplicativo ou inteligência artificial. É falar sobre comportamento, economia, educação, comunicação, trabalho, entretenimento e sociedade.

Quando cubro um lançamento ou uma inovação, procuro olhar além da novidade. O que aquilo representa? Como pode mudar a rotina das pessoas? É realmente útil ou apenas uma tendência passageira? Quem ganha e quem perde com aquela transformação?

Essas perguntas ajudam a transformar uma simples novidade em uma pauta jornalística.

O novo papel do news creator

É nesse contexto que vejo crescer o conceito de news creator. Não se trata simplesmente de colocar um jornalista diante de uma câmera para reproduzir uma reportagem tradicional.

É uma linguagem diferente.

O news creator precisa saber conversar com a audiência, contar histórias, produzir vídeos, compreender plataformas e construir comunidade. Ao mesmo tempo, precisa preservar aquilo que diferencia o jornalismo: apuração, checagem, contexto e responsabilidade.

É uma mistura que considero muito interessante. O jornalista passa a ser também um criador, sem deixar de ser jornalista.

A inteligência artificial entrou na redação

E, claro, não dá para falar de tecnologia em 2026 sem falar de inteligência artificial.

A IA já faz parte de diferentes etapas da produção de conteúdo. Pode ajudar a organizar informações, transcrever entrevistas, pesquisar temas, revisar textos, criar estruturas e acelerar tarefas repetitivas.

Mas existe uma fronteira que não pode ser ignorada: a responsabilidade pela informação continua sendo humana.

Eu posso utilizar uma ferramenta de inteligência artificial para me ajudar em determinada etapa do trabalho. O que não posso é simplesmente acreditar em tudo o que ela apresenta. Ferramenta não substitui apuração.

O jornalista continua precisando conferir fontes, comparar informações, identificar erros e tomar decisões editoriais. A tecnologia pode acelerar o trabalho, mas a responsabilidade continua sendo de quem publica.

Entre o clique e a credibilidade

Existe uma tentação enorme no ambiente digital: produzir aquilo que gera mais clique.

E não há nada de errado em querer audiência. Um jornalista precisa alcançar pessoas para que seu trabalho tenha impacto. O problema aparece quando o clique passa a ser mais importante do que a informação.

É aí que surgem títulos exagerados, informações fora de contexto, conteúdos copiados e uma corrida permanente pelo assunto do momento.

Eu prefiro pensar em outra lógica: audiência com credibilidade.

O público pode chegar por causa de um vídeo curto, de uma manchete ou de uma publicação no Instagram. Mas quero que ele permaneça porque encontrou informação confiável.

Tecnologia também precisa de tradução

Existe outro papel importante para quem trabalha com jornalismo de tecnologia: traduzir.

A indústria utiliza termos técnicos o tempo inteiro. IA generativa, machine learning, computação em nuvem, chips, realidade aumentada, agentes de inteligência artificial e tantos outros conceitos podem parecer distantes para quem não acompanha o setor.

O jornalista precisa transformar esse vocabulário em informação compreensível.

Não adianta simplesmente repetir o comunicado de uma empresa. É preciso explicar o que aquilo significa na vida real. Essa talvez seja uma das maiores contribuições do jornalismo especializado: pegar algo complexo e tornar aquilo acessível sem simplificar demais.

Do Instagram aos portais

No fim das contas, acredito que o futuro do jornalismo não estará em escolher entre redes sociais ou portais. Estará em saber utilizar todos esses ambientes de maneira inteligente.

O Instagram pode despertar a curiosidade. O YouTube pode aprofundar. O podcast pode criar uma conversa. O portal pode organizar a informação. A newsletter pode manter o relacionamento. E novas plataformas certamente ainda vão surgir.

O jornalista que entender esse ecossistema terá mais possibilidades de contar histórias.

Mas, no meio de tanta tecnologia, uma coisa continua sendo essencial: a capacidade humana de perguntar, investigar e contextualizar.

É por isso que continuo acreditando no jornalismo de tecnologia. Não apenas como cobertura de produtos, aplicativos ou grandes empresas, mas como uma forma de entender o mundo que está sendo construído diante dos nossos olhos.

A tecnologia muda rapidamente. As plataformas mudam. Os algoritmos mudam. Os formatos mudam.

A necessidade de informação confiável, não.

E talvez seja justamente aí que esteja o futuro: no encontro entre jornalismo, tecnologia e criação de conteúdo, com profissionais capazes de falar a língua das plataformas sem esquecer a responsabilidade de quem escolheu informar.

Por @EldoGomes | #TechComEldo
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Eldo Gomes (@EldoGomes) é jornalista, influenciador e empreendedor digital de Brasília, com mais de 10 anos de atuação. Editor do EldoGomes.com.br com notícias de Brasília e apresentador do videocast Papo com Eldo, soma mais de 150 mil seguidores no Instagram e 110 mil inscritos no YouTube. Assina a coluna #TechComEldo, sobre tecnologia, inovação e tendências.
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