O pré-candidato do Avante à Presidência da República, Augusto Cury, afirmou que o Brasil precisa de um “choque de lucidez” para enfrentar a polarização política, reorganizar o Estado e avançar em projetos de interesse nacional. A declaração foi feita durante sabatina promovida pelo Grupo Correio Braziliense, em Brasília, na qual o escritor respondeu a 22 perguntas de jornalistas e representantes de entidades privadas e de classe. Cury defendeu diálogo com diferentes partidos e a formação de um projeto de governo baseado na união de competências.
Entre os principais pontos apresentados, Cury propôs uma reforma administrativa, com redução de ministérios e uma ampla auditoria dos gastos públicos. Segundo ele, a revisão das despesas deve contar com participação de economistas, especialistas e políticos experientes sem histórico de corrupção. A proposta, de acordo com o pré-candidato, teria como objetivo otimizar o orçamento público, reduzir desperdícios e enfrentar o que classificou como um cenário de dificuldades econômicas e perda de confiança na política.
Na relação com o Congresso Nacional, Cury afirmou que pretende conversar com deputados e representantes de diferentes partidos para construir uma base de apoio aos projetos de governo. Ele também defendeu um pacto nacional que reúna políticos e especialistas de diferentes áreas. Na segurança pública, destacou a necessidade de fortalecer Polícia Federal, polícias militares e civis, além de defender uma estrutura policial de atuação local nos municípios. Para ele, a organização do Estado é fundamental para combater o avanço do crime organizado.
O pré-candidato também apresentou propostas relacionadas a economia, trabalho e empreendedorismo. Cury declarou apoio à regulamentação e à tributação mais severa das apostas on-line, argumentando que as bets podem provocar dependência e impactos nas famílias. Sobre a escala 6×1, afirmou que o modelo atende mais aos interesses empresariais e defendeu a escala 5×2 para trabalhadores. Na área de crédito, propôs dividir o BNDES entre grandes empresas e pequenos negócios, com estruturas voltadas ao financiamento de micro e pequenos empreendedores em comunidades e favelas.
Na agenda de saúde, meio ambiente e desenvolvimento, Cury defendeu que o Brasil amplie sua capacidade de produção de vacinas e se torne um centro de excelência no setor. Também afirmou apoiar uma economia de baixo carbono e pediu responsabilidade na exploração de recursos da Margem Equatorial. Para as terras raras, defendeu que o país avance na industrialização e deixe de apenas exportar commodities. Na agricultura, propôs ampliar a produção de grãos ao longo da próxima década e reduzir juros para estimular investimentos no setor. Na política externa, afirmou que o Brasil precisa ampliar sua influência na América Latina e discutir novas possibilidades comerciais dentro e fora do Mercosul.
Durante a sabatina, Cury ainda falou sobre violência contra as mulheres, defendendo medidas mais rigorosas contra misoginia, agressões e formas de controle e assédio. Sobre os atos de 8 de janeiro, afirmou que pretende analisar detalhadamente os processos jurídicos envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro e integrantes das Forças Armadas, defendendo que eventuais injustiças sejam reparadas. Segundo o pré-candidato, o objetivo de sua candidatura não seria construir uma carreira política, mas contribuir para a pacificação do país e para a construção de um projeto nacional.








