A percepção sobre o comportamento dos compradores evolui mais rápido do que as decisões de investimento das próprias empresas. É o que aponta um levantamento interno conduzido em junho de 2026 pela agência Bloomin com empresas de segmentos como metalurgia, construção civil, alimentícios e comércio industrial, mapeando a relação do empresariado brasileiro com a IA generativa enquanto canal de descoberta de fornecedores.
Segundo o levantamento, 94,4% dos respondentes acreditam que seus clientes já utilizam ou passarão a utilizar ferramentas como ChatGPT e Google Gemini para pesquisar empresas e produtos do setor.
O dado contrasta com o posicionamento declarado: 83,3% afirmaram não ter planos formais de investir na própria presença nessas ferramentas, condicionando a decisão à compreensão do custo-benefício e do funcionamento do serviço.
Entre os respondentes que já monitoraram menções em respostas de IA, o padrão predominante foi identificar concorrentes sendo citados, não a própria empresa. Apenas 22,2% viram a própria marca aparecer nessas respostas, enquanto outros 22,2% encontraram apenas concorrentes nas recomendações das ferramentas.
Outros 38,9% declararam nunca ter feito essa verificação. O dado é relevante porque, segundo análise de mercado, 73% das marcas são efetivamente invisíveis na busca com IA, muitas vezes por bloquearem, sem perceber, os rastreadores das ferramentas.
Quando questionadas sobre a importância do canal, as empresas descreveram a presença em IA como "o próximo passo para uma evolução interna", "o meio de busca mais utilizado no futuro próximo" e fator que "demonstra referência no mercado".
A hesitação em agir, contudo, persiste: de todas as empresas ouvidas, apenas 11,7% indicaram que investir no próprio posicionamento seria uma prioridade imediata.
O padrão replica uma dinâmica mais ampla. Pesquisa do Sebrae e FGV IBRE, conduzida com cerca de 5.000 empresas brasileiras, aponta que, embora 99% dos dirigentes de médias e grandes empresas afirmem ter familiaridade com ferramentas de IA generativa, a aplicação direta dessas ferramentas nas atividades do negócio ainda alcança uma parcela significativamente menor.
Reconhecer a tendência e convertê-la em estratégia operacional, como o GEO, otimização para mecanismos generativos, segue como o principal obstáculo e, para o segmento industrial, o intervalo entre percepção e ação pode determinar quais empresas serão encontradas pelos próximos compradores e quais permanecerão invisíveis nos novos circuitos de descoberta no meio digital.








