HomeNotícias CorporativasEleições 2026 levam inteligência artificial às campanhas

Eleições 2026 levam inteligência artificial às campanhas

As Eleições 2026 marcam uma nova etapa na digitalização das campanhas brasileiras. Desde 16 de agosto, quando a propaganda eleitoral passou a ser permitida, equipes de candidatos, partidos e prestadores de serviços entraram em uma fase de maior intensidade operacional, na qual inteligência artificial, análise de dados e automação passam a dividir espaço com ferramentas já consolidadas, como redes sociais e aplicativos de mensagens.

O avanço da IA no ambiente político começou antes do período oficial de campanha. Levantamento do Observatório IA nas Eleições, projeto desenvolvido pelo Aláfia Lab e pela Data Privacy Brasil, identificou mais de 280 casos de uso de inteligência artificial em publicações relacionadas à política nacional entre janeiro e novembro de 2025. O levantamento monitorou conteúdos em redes como Instagram, Facebook, TikTok e X.

Ao mesmo tempo, o Tribunal Superior Eleitoral atualizou para 2026 as normas relativas ao uso de inteligência artificial na propaganda. Entre as medidas estão regras de identificação de determinados conteúdos sintéticos e restrições ao emprego de tecnologias de manipulação audiovisual. A regulamentação evidencia que a IA passou a integrar de forma definitiva o debate sobre comunicação, tecnologia e eleições.

Outra utilização ocorre nos bastidores das campanhas, em tarefas como atendimento, organização de bases, análise territorial e acompanhamento de mobilização. Uma das empresas que atua nesse segmento é o EleitorWEB, plataforma brasileira de tecnologia eleitoral que informa acumular 16 anos de experiência. Segundo dados divulgados pela empresa, sua tecnologia já esteve presente em mais de 1.000 campanhas, em operações relacionadas a mais de 200 candidatos eleitos e em bases que, somadas, ultrapassam 15 milhões de registros de eleitores e apoiadores.

"A tecnologia eleitoral passou de ferramentas isoladas para estruturas capazes de conectar dados, território, lideranças e relacionamento. A inteligência artificial acrescenta capacidade de automação e análise, mas estratégia e responsabilidade permanecem sob condução humana", explica Clayton Lustosa, fundador e diretor de tecnologia do EleitorWEB.

Um dos desafios enfrentados por campanhas é a fragmentação das informações. Cadastros podem estar distribuídos entre planilhas, celulares, formulários, grupos de mensagens e equipes de campo. A adoção de sistemas de CRM político procura reunir esses registros para permitir histórico de relacionamento, segmentação, acompanhamento territorial e identificação da origem dos contatos.

Na estrutura utilizada pelo EleitorWEB, a gestão de lideranças é combinada com mobilização em rede. Cada liderança pode possuir identificação própria para a formação de sua base, permitindo registrar a origem de novos contatos. Mapas, indicadores e rankings auxiliam a coordenação a acompanhar a evolução dessas redes por município, bairro ou região.

A inteligência artificial também pode ser aplicada ao relacionamento por WhatsApp. Agentes automatizados participam das etapas iniciais do atendimento após o cadastro de um contato na base e podem apoiar a organização das informações. Dados provenientes de CRM, entretanto, possuem natureza diferente de pesquisas eleitorais e não representam, isoladamente, projeções de intenção de voto.

Para Nicolas Lustosa, CEO do EleitorWEB, a integração das informações altera principalmente a capacidade de gestão. "A integração reduz a fragmentação dos registros e permite que coordenações observem lideranças, relacionamento e território dentro da mesma operação. Os indicadores apoiam a análise, sem substituir o conhecimento político das equipes", afirma.

A transformação tecnológica também alcança empresas que prestam serviços às campanhas. Agências, consultores, profissionais de marketing político e operadores regionais passaram a utilizar modelos white label, nos quais uma infraestrutura tecnológica é disponibilizada com a identidade do parceiro.

O EleitorWEB também atua nesse formato por meio de uma operação de CRM Político SaaS. Nesse modelo, marca, domínio e relacionamento comercial podem permanecer com a agência ou consultoria, enquanto desenvolvimento, manutenção e sustentação tecnológica ficam sob responsabilidade da estrutura técnica responsável pela plataforma.

"O white label reflete uma especialização do mercado. Desenvolvimento de software envolve infraestrutura, segurança e atualização permanente, enquanto agências e consultorias concentram competências em estratégia, comunicação e relacionamento", comenta João Ferreira, sócio e diretor comercial.

A ampliação da digitalização aumenta ainda a importância da segurança da informação. A Lei Geral de Proteção de Dados classifica opinião política e filiação a organização de caráter político como dados pessoais sensíveis, o que exige atenção específica por parte das organizações que realizam o tratamento dessas informações.

Segundo o EleitorWEB, sua arquitetura tecnológica opera em infraestrutura em nuvem e utiliza criptografia de dados, controles de acesso, rotinas de backup e procedimentos de segurança da informação. A empresa também informa estruturar seus processos de tratamento de dados para observar as disposições aplicáveis da LGPD.

Mesmo com maior automação, o atendimento humano permanece como parte da operação. No EleitorWEB, a área de Customer Success é coordenada por Mycaella Lustosa e acompanha equipes que utilizam a tecnologia durante as campanhas.

"O suporte humano permanece relevante porque as equipes possuem diferentes níveis de familiaridade com tecnologia e trabalham sob ciclos curtos. A automação aumenta velocidade e capacidade, enquanto orientação e contexto continuam necessários", explica Mycaella Lustosa, diretora de Customer Success.

Depois de 16 anos de evolução do setor, a transformação das campanhas passa menos pela adoção isolada de novas ferramentas e mais pela integração entre elas. Inteligência artificial, CRM político, dados territoriais, gestão de lideranças, segurança da informação e atendimento passam a compor uma infraestrutura voltada à organização de operações cada vez mais digitais a cada ciclo eleitoral.

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