Lançado como álbum de estreia da dupla SaladStar, Tudo Pode Ser Loucura apresenta uma proposta clara: oferecer um disco concebido para ser ouvido por completo. Em contraste com a lógica do consumo rápido, o trabalho valoriza a escuta atenta e a construção emocional ao longo de suas faixas.
O álbum apresenta 15 faixas inéditas, todas compostas por Daniel Zukko, e aposta em um rock-pop direto, melódico e afetivo, daqueles que convidam tanto à pista improvisada da sala quanto ao canto alto no carro. O SaladStar surge em Brasília, em 2024, já demonstrando maturidade estética e conceitual ao unir referências do rock inglês, com ecos evidentes de The Beatles, à tradição sentimental da música brasileira, que passa, sem pudor, por Roberto Carlos.
As canções de Tudo Pode Ser Loucura falam de temas universais: amar, desamar, insistir, desistir, ter medo, desejar. O diferencial está na forma. As letras traduzem questões profundas em linguagem simples, sem abrir mão da poesia. “As letras são misturas de experiências pessoais com pitadas de imaginação”, resume Zukko, que também assina os arranjos, a produção e a execução instrumental do disco, um feito cada vez mais raro na cena pop atual.
Ao lado dele está Claudia Lima, cuja voz doce e firme conduz o álbum com sensibilidade e personalidade. Com trajetória no teatro musical e em grupos vocais a cappella, Claudia carrega a tradição das mulheres no rock, equilibrando ternura e vigor. Segundo ela, os arranjos transitam entre o complexo e o acessível, agradando tanto músicos quanto ouvintes em busca do “bom e velho roquenrol”.
O disco se constrói como uma jornada emocional. Faixas como “Casa Nova” e “Emoção Demodê” exploram relações em suspensão, onde o amor insiste mesmo quando tudo parece ruir. Já “Tangerina” dialoga diretamente com o imaginário do cinema ao se inspirar no filme Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças, enquanto “O Mundo Que Eu Deixei” e “O Presente Não é de Ninguém” flertam com reflexões existenciais sobre tempo, fuga e pertencimento.
Musicalmente, Tudo Pode Ser Loucura se expande com participações pontuais e elegantes, como o trompete e o sax em “Domingo Santo”, além de solos e vozes convidadas que enriquecem a narrativa sem desviar o foco da dupla. Gravado no Studio Wayne e no Orbis Estúdio, o álbum tem mixagem e masterização de Marcos Paulo Pagani, garantindo unidade sonora e clareza aos arranjos.
No fim, SaladStar entrega exatamente o que promete: rock-pop do século 21, honesto, sentimental e sem cinismo. Um disco que fala diretamente com quem ouve para dançar, cantar, chorar no chuveiro ou simplesmente lembrar que, às vezes, tudo pode ser loucura mesmo. E ainda assim, vale a pena.
Aperte o play e descubra por que Tudo Pode Ser Loucura é um álbum para sentir, cantar alto e ouvir sem pressa.





