Dos meus 3 aos 7 anos, aquele momento parecia mágico. Sem perceber, meu maior contato com uma presença materna na televisão vinha dali. Xuxa Meneghel falava com milhões de crianças como se estivesse olhando para cada uma delas. E, para mim, ela realmente parecia estar.
Antes mesmo de existir a palavra “coach”, ela já nos ensinava sobre autoestima, coragem e propósito. Foi a primeira pessoa a me fazer acreditar que sonhar era permitido. Afinal, quem viveu aquela época nunca esqueceu a mensagem que atravessava gerações: querer, poder e realizar.
Também foi com ela que aprendi, ainda criança, que o mundo podia ser mais colorido. A bandeira colorida sempre representou acolhimento, respeito e esperança. O arco-íris que iluminava seus programas era mais do que um efeito especial. Era um convite para acreditar que havia espaço para todos brilharem.
Hoje, ao acompanhar o último voo da Nave da Xuxa em São Paulo, não vejo apenas o encerramento de uma atração. Vejo o fechamento de um ciclo que desperta lembranças profundas em quem teve a sorte de crescer naquele universo. A nave pousa, mas as memórias continuam voando.
Alguns artistas fazem sucesso. Outros transformam gerações. Xuxa fez milhões de crianças acreditarem em si mesmas, ensinando, com simplicidade e afeto, que nossos sonhos merecem uma chance.
E talvez seja por isso que, toda vez que a Nave da Xuxa pousa, a infância da gente decola outra vez.
— Por @EldoGomes








