A expansão de ambientes híbridos, a descentralização das operações e o aumento da complexidade das infraestruturas de tecnologia da informação (TI) colocaram a gestão de dispositivos entre as prioridades do mercado de terceirização de serviços, o outsourcing. Impressoras, computadores e outros ativos deixaram de funcionar apenas como equipamentos de suporte e passaram a operar como fontes de dados capazes de reduzir custos, ampliar a eficiência e sustentar decisões de negócio.
De acordo com a NDD Tech, a empresa acompanha diariamente milhares de dispositivos instalados em organizações de diferentes segmentos e estima participação em torno de 80% no monitoramento de ambientes de impressão no Brasil, ao lado de provedores de outsourcing. A companhia, que atua há duas décadas no tratamento de dados corporativos e afirma atender clientes em dezenas de países, posiciona a leitura desses indicadores como base para a evolução dos serviços prestados ao mercado.
Para Marcos Horst, gerente comercial da NDD Tech, o setor passou por uma mudança de natureza nos últimos anos. "Durante muito tempo, a gestão dos dispositivos se concentrou em corrigir falhas quando elas aconteciam. Hoje o mercado exige acompanhar toda a infraestrutura em tempo real, antecipar problemas e usar indicadores para apoiar as decisões dos clientes. A gestão inteligente deixou de ser operacional para se tornar estratégica", ressalta.
O movimento acompanha o crescimento do próprio setor. O mercado global de serviços gerenciados foi estimado em US$ 430 bilhões em 2026 e deve avançar a uma taxa média de 10,3% ao ano até 2031, segundo a Mordor Intelligence. Na frente específica de administração de equipamentos, o mercado de gerenciamento de dispositivos móveis tende a alcançar US$ 105 bilhões em 2034, conforme projeções da Fortune Business Insights.
Para Horst, o cenário reflete operações cada vez mais distribuídas entre escritórios, filiais, centros de distribuição e profissionais em trabalho híbrido, o que amplia a necessidade de acompanhar continuamente milhares de equipamentos dispersos e reduz o espaço para intervenções apenas corretivas.
O que define a gestão inteligente de dispositivos
Mais do que manter equipamentos em funcionamento, a gestão inteligente de dispositivos consiste em monitorar, administrar e otimizar de forma contínua todo o parque tecnológico de uma organização.
O gerente comercial da NDD Tech explica que o modelo reúne monitoramento em tempo real da disponibilidade e do desempenho, administração centralizada em uma única plataforma, inventário automatizado de hardware e software, indicadores operacionais consolidados e manutenção preditiva, capaz de antecipar falhas a partir de dados históricos, antes que elas afetem a operação.
A esse conjunto somam-se a automação de rotinas, como abertura de chamados, notificações e correções remotas, e a chamada inteligência operacional, que transforma os dados gerados pelos equipamentos em informações aplicadas ao planejamento, à gestão de contratos e à redução de custos.
O acompanhamento dos níveis de serviço (SLAs) permite ainda identificar gargalos e oportunidades de otimização. "Na prática, uma infraestrutura antes administrada de forma reativa passa a operar de maneira conectada e orientada por indicadores, com decisões sustentadas por informações confiáveis, e não por percepções", detalha.
Do monitoramento de impressão à decisão estratégica
A gestão dos ambientes de impressão é uma das principais aplicações do conceito. Por meio dessas plataformas, os provedores passam a controlar impressoras e multifuncionais de forma centralizada, acompanhando disponibilidade, consumo de insumos, desempenho e necessidade de manutenção, o que permite automatizar processos e reduzir indisponibilidades. O segmento tem peso relevante: o mercado global de serviços de impressão gerenciada foi avaliado em US$ 54 bilhões em 2026, com crescimento anual projetado em 8,9% até 2031, de acordo com a Mordor Intelligence.
O executivo avalia que o próximo estágio do setor será definido pela combinação de dados, automação e inteligência artificial. "O diferencial não está apenas em monitorar equipamentos, mas em transformar informações operacionais em insights que permitam antecipar problemas, otimizar recursos e apoiar decisões estratégicas dos clientes. É isso que redefine o papel dos provedores de outsourcing", conclui Marcos Horst.
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